POESIA

Ao longo de 30 anos da minha vida fui escrevendo algumas coisas conforme o estado de espírito do momento. São alguns desses escritos que incluirei nesta página. Quem sou, o que sou e o que sinto, estão nestes rabiscos de papel.


Maria do Mar

Numa família de mulheres
ser Maria foi tradição
quis Deus que também fosse
Maria, de coração!

Sou tantas Marias na vida
gravadas na minha pele
que as guardo com amor
em rabiscos, no papel.

Na terra, mar ou céu
na dor e amizade
na esperança e nas lágrimas
sou Maria da Saudade.

Sou Maria Amor, Maria Mulher
sou Maria no dia-a-dia
Maria Paixão ou Solidão
ou simplesmente, Maria!

Sou um grão de areia
na praia onde nasci
que perdi a noção
das Marias que vivi.

Como herança de nascimento
dessa vila à beira mar
escolhi por opção
ser Maria do Mar!


 Sou..
Sou a brisa suave
do entardecer...
o pôr-do-sol
à beira mar,
o crepúsculo de verão
nas noites de Agosto.
Sou uma ave exótica
que plana devagar.
Sou o delírio
que a febre provoca,
sou o sobressalto
que bate à porta,
sou feitiço
sem haver magia.
Sou a sombra que passa
deixando um rasto.
Sou mágoa
no vazio da solidão.
Sou a mão estendida
à procura de outra mão.
Sou fado triste
na boca da cantadeira.
Sou cristal bruto
para ser lapidado.
Sou pétala desfolhada
de um malmequer
e, sou barro puro
à espera de ser moldado
num corpo de Mulher!

Não me perguntem quem sou


Uma figura pequena
de pele morena
e olhar triste,
vagueia sem destino
cabelo em desalinho
castanho dourado,
leve encaracolado
solto ao vento.
Rugas no rosto,
restos de algum desgosto
ou simples marcas do tempo.
Lábios rubros de ternura
encanto, doçura, meiguice
pedaços de juventude
infância e traquinice...
Génio forte, lutador
pela vida, pelo amor
para vencer, quando quer
na batalha do destino
num corpo de mulher!
Nas amarguras da vida
nos frutos que recolheu,
naquilo que conquistou,
acabou esquecendo
quem foi
e eu nem sei quem é...
Não!
Não me perguntem quem sou!


 Tela da Saudade
 

Pintei uma tela de saudade
cinzenta de um lado
ao recordar momentos
nostalgias do passado.
Aos poucos fui recordando
traquinices de criança,
pintei de várias cores
as memórias da infância.
Fui passando o pincel
pelas anos da minha vida,
pelas rosas e pelos espinhos,
utilizei cores mais alegres
ao recordar os meus filhos.
Mas, nesta tela de saudade
as más recordações imperam,
e deixam marcas de dor
pelas recordações que geram!
Pintei de negro as lágrimas
a tristeza e a maldade,
a preto e branco ficou
tudo aquilo que restou
nesta Tela de Saudade!


Saudade

Saudades são gotas de orvalho
que brotam dos olhos de alguém,
saudade é a margem oposta
do rio em que navego.
Saudade é estar longe de ti
é sentir ânsia de te abraçar.
Saudade é um desterrado,
saudade é um naufrago
saudade és tu!

Saudade é aquela ilha deserta
que ninguém vê há séculos.
Saudade é a Primavera que terminou,
as andorinhas que partiram...
Saudade é um não sei quê
que doi não sei onde...
Saudade é o que eu sinto
quando estou longe de ti!


Quero voar

Quero voar,
caminhar descalça
na areia da praia
onde brincava
quando criança
cuja inocência
criava raízes
acreditava somente
haver dias felizes.

Quero voar,
até ao infinito
esquecer cada momento
ganhar a esperança
onde o olhar
jamais alcance a dor
e morrer no canto
profundo do ser
onde o maior pecado
é ter que viver
sem amor!

Quero voar,
sobre o vento
sobre as nuvens, no ar
pelo céu, pelas colinas
e sobre o mar.
Como gaivotas em liberdade
poder apreciar
o brilho num olhar
cheio de ilusão.

Quero voar,
percorrer as ruas
cheia de esperança.
Em qualquer espaço
rua ou avenida
em qualquer canto
da minha vida
encontrar o teu olhar
e com ele navegar
longe da solidão!

Quero voar,
sobre as ruínas
do meu ser,
sobre as mágoas
da minha pessoa,
sobre as cinzas
da minha dor,
sobre as alegrias
que construí na vida
e voltar um dia
a Renascer!


És

És árvore
forte e resistente
que dá sombra e abrigo,
estende o ramo e protege
e chora comigo.
És o raio
que procede o trovão
iluminas as horas sombrias
dás força e animas
e dás-me a mão.
És mar
de ondas turbolentas
como as marés
abundante de vida
que se estende a teus pés.
Es sonho
na noite calma
iluminada pelo luar
de estrelas perfeitas
como o teu sonhar!
És vida
à espera de ser vivida
envolta na esperança
que trazes reflectida
nesses olhos de criança!

 Fado do destino

Fado é o destino
que carregas desde menino
desde a hora em que nasceste.
Nos caminhos que traçaste
cumpres a tua sina,
roda gigante bailarina
que move montanhas
de esperanças tamanhas
desde o dia em que a viste.
No cruel fado dos desejos
levas marcas de beijos
nas sobras do amor
onde as marcas de dor
endurecem o coração.
Arrastando a emoção
à boca de um artista
letra que a fadista
canta à desgarrada
com gemidos d`uma guitarra
os versos desse fado!



Ilusões

Rasgo o ventre da terra
e suspiro à lua
depois de fazer um trapézio
das cores do arco-íris.
Danço à chuva
 nos braços do vento
e deixo-me embalar
na erva dos prados,
solto gargalhadas ao desafio
com o chilrear das andorinhas.
Sou a borboleta de seda
que vagueia pelo jardim,
Sou pirilampo da noite
lusco-fusco no caminho.
E, na esteira de rede
sou criança adormecida
que sonha ilusões
nos braços de sua mãe!

  Vem 



Vem pintar de côr de rosa
todos os teus sonhos
Vem dar-lhes a côr do arco-íris
no lapidado do cristal.
vem e abre os lábios num sorriso
feito de ternura e amor.
Vem construir castelos de areia
junto às ondas do mar.
Vem transformar em poesia
a música das palavras.
Vem encher de magia e esperança
o silêncio das horas solitárias.
vem, traz as mãos cheias de amor
para doares em carícias
sobre um corpo nú!
Vem...

Pensando em ti


Chove!...
A noite caíu há muito tempo
e a manhã aproxima-se lenta
neste leito, aconchegado e quente
eu penso em ti!

Queria estar a teu lado
poder-mos falar de nós
escutar as gotas de chuva
que batem nas janelas do quarto
e esperar o dia nascer.
Escutar o bater de teu coração
a meiguice do teu olhar
o calor de teus braços...
saber que é bom amar!
Ficar a teu lado e sorrir,
sentir-te bem perto a acaricíar-me
poder encaracolar teus cabelos,
fumar um cigarro entre beijos
e sonhar... sonhar!...


Mãe

Para ti minha mãe
que tremendo gritas por pão
que chorando ceifas a dor
não és mais nem menos
és melhor que todas as mães.
Porque trabalhas e sofres,
porque és minha,
porque colhes o desespero
dos filhos que sofrem fome.
Estás calejada da vida
mas lutas por um novo dia.
Plantas a teus pés
tristeza nas horas incertas.
Mãos daninhas como ervas
agarradas às foices da vida.
Mãe, só tu sabes o valor
da luta desesperada e da dor
da aurora ao amanhecer.
O caminhar descalça
nas searas do dia,
o alourar das espigas
que no verão dão flor
no olhar de tuas filhas!
Mãe, o teu sorriso profundo
é o símbolo universal de luta
de todas as mães do mundo!...

( escrito apenas 3 meses antes da sua morte)


Criança do Bairro Triste

Criança descalça
do mundo e da ilusão
despida de vida,
tu és meu irmão!

Sonhos não podes ter
teu olhar é vazio,
pouca roupa vestes
tu vives com frio.

Comida não tens
teus pais nunca viste
teu lugar no mundo
é um bairro triste.

Teu sonho é seres
um dia, criança
longe desse bairro
onde não há esperança.

Um dia talvez, serás homem
longe do beco sem saída
onde infelizmente viveste
a infância, o desgosto e a vida!


Poema para meus filhos

Três de Dezembro, madrugada
sexta-feira, noite gelada
entre gemidos sofridos
alegria desmedida
e lágrimas choradas,
como estrela cadente
que desliza no céu
chegaste ao meu seio
nu, tremulo e frágil
para sempre seres meu!

Vinte cinco de Setembro, finalmente
sexta feira, tarde quente
entre angústia e dor
tu saíste de mim
como pequena semente
rompendo da terra.
Mal te vi, quase te perdi,
por ti, rezei e chorei
pelo tanto que te amei.

Os meses e os anos passaram
o meu amor aumentou.
Filhos..
alegria da minha vida
na minha vida.
Ternura de minha ternura
no máximo do seu esplendor
dão rumos ao meu mundo
sentido ao meu destino
e à coragem novo valor.

No brilho do vosso olhar
depositei o meu amor.
Todos os dias ao amanhecer,
com velas brancas acendo a paixão
que existe em meu peito
e conservo na vossa mão.
Ser mãe, é ler o vosso olhar
é ter uma missão para cumprir,
e toda a vida o enorme desejo
de vê-los sempre a sorrir!

Bem Haja
(dia 26 de Julho- dia dos avós)


Bem haja a quem se lembrou
de comemorar este dia!
Bem haja a esses cabelos branquinhos
esses olhos meigos e doces
essas faces enrugadas
essas mãos já cansadas
que cheias de dor, embalaram
todos os teus filhos.

Bem haja a ti avozinha
que cheia de carinho
afagaste a minha dor,
substituíste a minha mãe                                          que infelizmente Deus já levou.
Perdeste dois dos teus filhos
e foste mãe de todos os teus
netos,
hoje és avó de teus bisnetos
que
com o mesmo amor acarinhas
e aconchegas em teu regaço.

Bem haja a ti avozinho
que com tua barba já branca
arranhas nossas caras e sorris...
Bem haja a esse corpo curvado
calejado e cansado
de tantas amarguras.
Bem haja a esses queridos velhinhos
para quem, a Deus rezo pedindo
Saúde, amor e carinho!

Dá-lhe o meu recado

Ó vento que sopras
nas velas do moinho
nas flores do caminho
tu existes, então
dá-lhe o meu recado!

Ó lua que na noite escura
com raios prateados
iluminas o olhar dos namorados
se és mensageira,
dá-lhe o meu recado!

Ó sol quente
que dás luz ao dia
e flores à Primavera,
enquanto a noite desespera
dá-lhe o meu recado!

Ó mar de água transparente
que em breves instantes
te tornas traiçoeiro,
se chegares primeiro
dá-lhe o meu recado!

Ó pomba branca da paz
se ainda fores capaz
de mais longe voar,
grita-lhe bem alto, o meu recado:
-Sem ti, não sei amar!

Sem Esperança

Através da janela
olho o horizonte
e a neblina que o cobre
não me deixa ver o monte...
Assim fico sem saber
se são as lágrimas
que teimam em cair
ou o denso nevoeiro
que me impede de ver!
Obrigo-me a pensar
se são imagens difusas,
a noite que se aproxima
ou o crepúsculo, no meu olhar!
Canto um hino de liberdade
à força, quebro amarras
mas ao eco da minha voz
responde o canto das cigarras.
Embrulho-me nas palavras
nesta hora de partir,
emalo os pensamentos
sem saber onde ir!...
Na longa fuga da vida
entre brumas e tempestade
eu vivo sem esperança,
alimento-me de saudade!

Coração errante

Por culpa do teu olhar
consegues fazer-me amar
sorrir e sofrer,
às vezes odiar!
Meus coração tornou-se mendigo
ferido com sua dor
perdido em seu caminho,
às vezes quando implora
recebe por esmola
um pouco de carinho!
Enlouqueceu e sem razão
também perdeu a noção
da vida e do destino.
Ficou sem dignidade
agora pede por caridade
um sorriso, um gesto teu,
Esperando a alegria
de recuperar um dia
um pouco, do que perdeu!...

Amizade 


Porquê as lágrimas nesse olhar?
Sabes o que faço aqui?
trago nas mãos a alegria
trago nos olhos um sorriso
trago no peito a amizade,
porque sou teu amigo!
Trago comigo a esperança
trago apoio e carinho
trago ajuda nas palavras,
porque sou teu amigo.
Trago um ombro disponível
trago um lenço na mão
trago o coração aberto,
ser amigo é ser irmão!
Trago silêncio para te escutar
trago nas mãos muito amor
e trago no peito uma chaga,
por chorar a tua dor!
Tem esperança e caminha,
seca as lágrimas e sorri,
porque encontraste um amigo
que chora, em vez de ti!

As Mãos

Gosto das tuas mãos
já enrugadas e cansadas,
mãos velhas e calejadas
de tantos abraços, tantos carinhos
trabalho e sofrimento.
Mãos cheias de dor e amargura
que a doença tortura,
são carinho para teus netos.
Das tuas mãos meu avô
cuja semente me deixou
outras mãos, para recordar.
Mãos meigas e carinhosas
perfumadas como rosas
cheias de amor profundo,
belas e delicadas também,
sem haver neste mundo
mãos iguais às de minha mãe!
Mãos só ternura mas sofridas
cujas alegrias sentidas
partiam para outras mãos.
Aquelas fortes e duras
de respeito e amarguras,
me ensinaram o caminho,
e num leve e esboçado sorriso
sentem orgulho por quem vai
receber ternura e carinho
de tuas mãos, meu pai!
Conheci mãos que acariciavam
plenas de ternura e amor,
mãos doloridas de onde sai
ordens, promessas e carinho
ou conselhos, como pai!
Mãos essas que me deram
outras mãos muito minhas
frágeis como andorinhas
cheias de meiguice e doçura,
malandras e travessas,
tão lindas, cheias de meninice
rosadas e perfumadas
dedos como cadilhos...
mãos únicas que me pertencem,
são as mãos de meus filhos.
Mas, existem ainda
umas mãos que aprecio,
mãos carinhosas
doces, habilidosas
de ternura infinda,
plenas de amor infinito.
São duras e pesadas
muitas vezes, delicadas.
Mãos mal apreciadas
cheias de mágoa e tristeza
dor e sofrimento.
Mãos firmes e ousadas
mas quando fechadas
conservam todo o amor
que deram e receberam,
de todas as outras mãos.
Mãos sempre cheias de alegria
entre todas, as mais lindas,
pois essas mãos ternura
toda a vida me pertenceram...
toda a vida, foram as minhas!

Pensamentos

Aquela folha solta ao vento
voa longe, como um pensamento,
não pára e logo muda...
flutua subindo e descendo
como as águas de uma maré
que rolam e rebolam
e logo desaparecem
interrompidas ao mais leve som.
Quebram-se como vidro e separam-se
em tantos fragmentos
como leves pensamentos
como folha solta ao vento,
depois unidos e colados
sobram sempre alguns bocados
que não sabemos encaixar
nos recortes da ente
que triste chorou de repente
ou sorriu ao lenbrar o dia
em que a máxima, era alegria!
Ou talvez escreveu
um poema que ninguém leu
e na memória ficou, porque num vaivam constante
um dia pára de correr
e fica a saudade
dos tempos que já lá findaram
e até agora recordaram
como folha solta ao vento,
que voa longe....
como um pensamento!...

Lágrimas

Lágrimas são cansaço
ou restos de algum abraço
em hora de despedida.
Às vezes são tristeza e mágoa
ou dor tão forte,
quando a morte em sobressalto
nos toma de assalto
e nos bate à porta.
Lágrimas são água salgada
que na areia molhada
deixa marcas desenhados,
são feitiços, são magia.
Às vezes são alegria
quando a ternura
com pedaços de loucura
embriaga e contagia.
Lágrimas são diamantes
quando uns olhos brilhantes
demonstram seu amor.
Também são vidro fosco
nos olhos de um louco
que finge não nos ver!....
Mas quem sabe chorar
deve sempre se orgulhar
de tão nobre sentimento.
AAo vermos numa face rolar
gotas de água transparente
devemos nesses olhos reparar
para que o seu olhar
nos revele, tudo o que sente!

Esperança

Olho uma flor que cresce
desabrocha, floresce...
Olho o mar com suas marés
o rebentar das ondas
a espuma na areia.
Olho a areia
calma, quente
macia, envolvente...
Olho o céu
a nuvem informal
a lua sofisticada
o sol quente...
Olho os pássaros
cantando, voando
chilreando alegremente
em bandos.
Olho dentro de mim
vejo a mudança, vejo confiança
vejo amizade, vejo saudade
dor e amor.
Olho o espelho
e que vejo?
Vejo o meu desejo
e vejo...
o reflexo da esperança!


Poema para um amigo

Às vezes preciso de alguém
que acredite em mim
e em quem eu possa confiar...
Às vezes preciso de alguém
que seja bondoso e carinhoso
e saiba dizer-me se errei.
Às vezes preciso de alguém
para chorar no seu ombro
e fazer confidencias.
Às vezes preciso de alguém
que saiba compreender-me
e já tenha sido traído.
Às vezes preciso de alguém
que saiba chorar comigo
e também saiba amar...
Às vezes preciso de alguém
que goste do sol e do mar
de viver e recordar.
Às vezes preciso de alguém
que saiba rir,
e goste de se divertir.
Às vezes preciso de alguém
que também saiba dizer não!
Às vezes preciso de alguém
que também sinta saudade,
que tenha sido magoado,
mas que saiba perdoar!
Às vezes preciso de alguém
que me faça rir
quando me apetece chorar.
Às vezes preciso de alguém
a quem contar
o que não conto a mais ninguém!
Às vezes preciso de alguém
que tenha bom coração,
que às vezes seja irmão
outras vezes não seja nada,
seja apenas alguém...
Às vezes preciso de alguém
com sonhos iguais aos meus.
Às vezes preciso de alguém
que saiba proteger e respeitar
e se possa conservar
para toda a vida.
Às vezes preciso de alguém
de corpo inteiro,
alguém que sofre ou já sofreu
mas que goste de viver!
Às vezes preciso de alguém
com sonhos como os meus
e que se divirta comigo.
Às vezes tudo o que preciso
é de um verdadeiro AMIGO!


Fogo do olhar

Desse fogo ateado
eu nunca me protejo
pois não resisto ao desejo
de teus lábios beijar.

Nessa chama ardente
não resisto à tentação
Deus, como bate o coração...
Hoje tenho-te a meu lado!


Na luz que me inspira
nessa doce carícia
tuas mãos são uma delicìa
que me apetece guardar.


Cabelos lindos de seda
deslizando na minha mão
quebram assim a tentação
de sempre os acaricíar.

Nos teus olhos garotos
na travessura do teu sorriso
és tudo o que preciso
quando estás a meu lado.

Queimei minha ilusão
no fogo desse olhar
agora por te amar,
queimo assim, meu coração!

Solidão

Só tu solidão
enches de magia meu coração
fazes-me rir e chorar
cantar e sonhar,
fazes-me esquecer o rancor
ou até sofrer por amor...
Vejo em ti um amigo
um aliado nas horas incertas.
És tu solidão
que me dás a ilusão
da vida que não vivo.
És tu que em noites singelas
murmuras pelas vielas
embaladas pelas estrelas
serenatas ao amor.
És tu que em dias de nevoeiro
ou em tardes de soalheiro
pintas telas abstratas.
Desenhas um arco irís no ar
e até me fazes sonhar...
Vejo neve na Primavera
vejo a menina que eu era,
vejo crianças a correr...
Neste mundo de ilusão
que invento, em ti solidão,
vejo uma nova alvorada
e assim fico até ser madrugada
para contigo sonhar,
e sempre poder inventar
tudo aquilo que desejo.
Um mundo novo a crescer
sem guerras, sem fome
para lá poder viver,
longe de ti, solidão!

Estrela do Mar

Estrela do mar
por ti orgulho-me
fecho os olhos e respiro
o cheiro da maresia
 e deixo-me envolver
porque te quero ver!
Sinto o murmúrio das águas
o rebentar das ondas
que vem morrer a meus pés.
Estou à tua espera
neste mar
para te admirar!
Passeia nas águas
que me acalmam
envolvem e chamam
neste apelo de amor
silencioso!
Entrego-me...
mãos cravadas na areia
desvendando mistérios
sonhando...
Estrela do mar
guia meus sonhos
devolve-me a esperança
traz-me de volta
os encantos sem fim,
sobreviventes do naufrágio
que descubro-me em mim!
Traz-me de volta
de regresso a terra
ao mundo das ilusões.
Traz-me a alegria
de olhar um novo dia
e sentir-me criança.
Estrela do mar,
veem!

As rosas do meu jardim


Plantei rosas no meu jardim
magestosas, viçosas, formosas
rubras de cor
vermelhas de amor
amarelas de saudade
laranjas de ciúme.
Plantei também rosas brancas
da cor da minha tristeza
rosas de sangue, de paixão
que desabrocharam na sua época
tiveram o seu momento
de ternura e de fulgor.
Mas chegou o dia
que as pétalas viçosas murcharam
empalideceram por amor
envelheceram de saudade
e lentamente foram morrendo.
Restam as rosas brancas
mais brancas cada dia,
que teimosas perguntam ainda
se as rosas de esperança
serão plantadas neste jardim,
algum dia...algum dia...

Olha o Sol

Olha o Sol, já nasceu
Olha o mar, como é lindo
Olha as estrelas
o céu, o luar
no mundo há tanta beleza
que esquecemos concerteza
a falta de amor,
a dor de não amar!

Olha nos olhos uma criança,
olha a tristeza no olhar,
olha a inocência do sorriso
e vê como é lindo
é puro, imaculado.
Um pouco por todo o lado
existe a magia do amor
tantas vezes abandonado!

Olha as nuvens,
olha a chuva,
olha o céu e verás
um arco-iris no ar
e de certeza
encontrarás na mãe natureza
a beleza do amor
alguém a quem amar!


Pedras
 

Às pedras da rua
que piso no caminho
sinto a vossa amargura
a agonia, o tormento
que gritam baixinho
ao céu, ao sol
à terra e ao vento.

Às pedras do caminho
que choram e lamentam
sinto a mesma dor no peito,
angustia no coração;
choro lágrimas iguais,
tristeza ainda maior
um mar de solidão.

À pedras da calçada
tantas vezes jogadas
ao acaso, contra mim,
são esmola de quem nada tem,
são tudo que tenho na vida,
vosso insulto, minha alegria
que recebo a sorrir.

Com as pedras que recebi,
com alegria em minha vida
um muro construí.
Com essas pedras na mão
indiferente às dores que tenho
quebrarei um dia
as mágoas que já vivi!

Rocha ou cristal

A cada hora do dia
nos doces momentos da vida
ou nas duras penas da dor,
quando de amizade preciso
prefiro, oh...se prefiro!
Mil vezes prefiro
a tosca e dura 
rocha de basalto,
à delicadeza, cheia de beleza
do vidro e do cristal.
A mais bela amizade
moldada a sopro
com tanta delicadeza
ao mais pequeno descuido
desfaz-se em pó
em tantos fragmentos
que verifico nesse instante,
como por encanto
que nunca existiu.
Mas, na rudeza da rocha
apoio seguro e firme
de aparência irregular
esconde assim a beleza
com toda a certeza
uma amizade perfeita!

O teu cais

Grita bem alto
a tua raiva
a tua revolta
o teu desespero.
Grita bem alto
e faz-te ouvir
nos pontos cardeais.
Procura o teu Norte
o teu porto de abrigo
a tua sorte.
Encontra o teu cais
o teu destino
e prende amarras.
Lança a ancora e atraca,
quanto te sentires em segurança.
Continua a gritar
até sentires que o mundo te ouviu.
Desabafa toda a tua angústia
porque só assim
sentirás, enfim
que atingiste
o cais certo!

Olha o Sol...

Olha o Sol já nasceu,
olha o mar como é lindo,
olha as estrelas
o céu, o luar...
no mundo há tanta beleza
que esquecemos concerteza
a falta de amor
a dor de não amar!

Olha nos olhos uma criança,
olha a tristeza no olhar,
olha a inocência do sorriso
e vê como é lindo
é puro, imaculado.
Um pouco por todo o lado
existe a magia do amor
tantas vezes abandonado!

Olha as nuvens,
olha a chuva,
olha o céu e verás
um arco-iris no ar
e de certeza
encontrarás na mãe natureza
a beleza do amor,
alguém a quem amar!

Não estás só

Talvez ao ouvires
o murulhar das ondas
nos momentos de silêncio
surgidos ao acaso
entre longas conversas,
talvez nesse instante
consigas pensar
que não estás só!

Se no silêncio da noite
surge uma pequena estrela
que te serve de guia,
no percurso do teu dia
ou no relampejar da alvorada,
pensa que não estás só

Sente que tens a felicidade
de poder partilhar a amizade
esse bem gratuito e raro
tantas vezes maltratado
desprezado e benvindo,
talvez seja o momento
de perceberes
que encontraste um verdadeiro amigo
e também ele, não está só!